Gemini Omni Flash: Testamos o novo modelo de vídeo por IA do Google
O Google deu um passo largo na corrida da inteligência artificial generativa com o lançamento da família Omni, modelos projetados para transformar qualquer tipo de entrada (fotos, vídeos, textos) em qualquer outro tipo de saída. O primeiro a chegar às mãos do público é o Omni Flash, integrado diretamente no Flow, a plataforma de criação e edição de vídeos por IA da empresa.
A jornalista Allison Johnson, do The Verge, resolveu colocar a novidade à prova, trazendo de volta um personagem marcante dos seus testes anteriores com o modelo Veo: o Buddy, um simpático cervo de pelúcia de seu filho de quatro anos.
O objetivo? Ver se o Omni Flash é realmente tão superior assim e se criar vídeos realistas se tornou uma tarefa fácil demais.
O Retorno do Cervo de Pelúcia (ou a inconsistência da IA)
Para testar as promessas de "consistência de personagens" e "compreensão de mundo real" do Omni Flash, Allison pediu para a IA gerar cenas do Buddy em várias situações de férias: fazendo paraquedismo, arrumando malas e embarcando em um cruzeiro tropical.
Os resultados foram descritos como uma mistura bizarra e impressionante ao mesmo tempo:
- O lado bom: A consistência geral melhorou significativamente em comparação com o antigo Veo. O cervo realmente se parecia com o Buddy real na maioria das cenas.
- O lado bizarro: As famosas "anomalias visuais" da IA ainda estão lá. Em um clipe de paraquedismo, Buddy de repente mudou de rotação no ar de forma não natural. Em outro, o cervo deveria pegar um frasco de mel para passar como protetor solar, mas o frasco mudava de formato a cada segundo (de pote para borrifador, depois para bisnaga), e na última cena o modelo simplesmente gerou uma colagem bizarra de elementos desconexos.
- A teimosia do modelo: O editor baseado em texto do Omni funciona melhor que o do Veo, mas ainda dá cabeçadas. Ao pedir para remover chifres que apareceram do nada em uma cena de Buddy (que é um filhote sem chifres), a IA removeu dessa cena... e adicionou chifres em todas as outras!
Além disso, brincar com isso não sai de graça. O processo consome créditos do plano AI Pro (que custa US$ 20/mês e dá 1.000 créditos). Cenas normais gastam entre 15 e 40 créditos, e cada rodada de edições custa mais 40. Rapidamente a franquia mensal vai embora se você for muito perfeccionista.
Assustadoramente Realista: O Deepfake Humano
Se as pelúcias ainda sofrem com inconsistências, o cenário muda drasticamente quando o assunto é recriar humanos reais a partir de vídeos reais. Allison decidiu testar a capacidade do Omni Flash de adicionar elementos artificiais a gravações reais de si mesma.
A partir de um vídeo de selfie com expressão neutra, ela pediu para o modelo simular três situações:
- Ela comendo um prato de espaguete.
- Ela sentada na poltrona de um avião.
- Ela comendo uma baguete em frente à Torre Eiffel.
O resultado foi de arrepiar.
Embora existam pequenas falhas de IA (o som do garfo batendo no prato parece artificial e uma mulher ao fundo do avião aparece duplicada), os vídeos são incrivelmente convincentes. A autora mostrou o clipe comendo espaguete para seu marido — com quem está casada há dez anos — sem dizer o que era IA. Ele acreditou totalmente na cena, dizendo apenas que "a tigela parecia estranha".
"Se o modelo consegue enganar um homem que olha para o meu rosto real todos os dias nos últimos dez anos, isso me deixa um pouco desconfortável." — Allison Johnson
Conclusão: No Fundo do Vale da Estranheza
O Omni Flash prova que as ferramentas estão se tornando incrivelmente sofisticadas sem exigir qualquer conhecimento técnico do usuário. Com apenas uma conta do Google e um cartão de crédito, qualquer pessoa pode pegar uma selfie em casa e fingir que está em um voo para Maui ou visitando Paris de forma assustadoramente convincente.
Não estamos exatamente nas vésperas da singularidade tecnológica, mas definitivamente já fincamos nossa bandeira bem no fundo do Vale da Estranheza (Uncanny Valley).
E você, o que acha desse avanço? Acha que os deepfakes em redes sociais vão se tornar um problema incontrolável nos próximos meses?